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12/03/11

MANIFESTO de uma jovem adulta enrascada

Chega de medidas cegas sem estratégia sem perspectivas, para fazer números para inglês (ou alemão ou francês) ver, chega de descer escadas!

Faço parte do grupo de jovens adultos que ainda dependem dos pais: Estou há 3 anos à espera de melhores dias para comprar casa, casar e constituir familia e... fartei-me de esperar, mas não consigo comprar casa, não consigo ser eu e não consigo ser para ninguém...

O que vivemos é fruto de:
- uma política de educação irresponsável, políticos irresponsáveis (todo o parlamento, governo e oposição que não se opôs nem propôs), que defendeu o canudo pelo canudo e não definiu uma estratégia de licenciaturas em Portugal. Nasceram cursos para fazer dinheiro às universidades, vendeu-se o canudo, familias perderam muito dinheiro, jovens que durante anos não produziram, e dinheiro que não ganharam, adiaram o futuro... para isto!
- uma cultura popular que vive e alimenta o estigma do jovem sem canudo, como um ser inferior;
- falta de alternativa de formação técnica, tecnológica e prática.

Nós jovens temos feito um protesto silencioso há demasiados anos pela abstenção dos votos nas urnas das eleições. Basta!

Recado para (qualquer) governo:
- Regular o ensino superior, no sentido de definir um conjunto de licenciaturas estratégicas para o futuro económico do país;
- Implementar alternativas para uma formação técnica com mérito e dignidade, por os jovens a trabalhar mais cedo e a ganhar dinheiro mais cedo e a construir o seu futuro mais cedo!
- Dar valor ao voto em branco! O voto em branco tem de passar a contar e a ganhar as eleições! só assim conseguimos obrigar os partidos políticos a falar, a decidir e a agir para o povo. Só assim vai ser possível acreditar de novo na política e nas políticas!

2 comentários:

mikatu disse...

Gostei da ideia do voto em branco passar a contar.
Relativamente à abstenção não revela protesto mas sim indiferença. Votar é um direito mas tb um dever.

Agora o comentário. Não creio que devamos protestar englobar a educação neste protesto. Cursos com saída e sem saída sem existiram, quem tem de fazer a escolha é o aluno. Eu gostaria de tirar o curso X mas se Y tem mais saída é isso que vou escolher porque toda a gente sabe disto. O curso (salvo algumas excepções) não serve para quase nada, o que importa é a experiência profissional que se adquire depois. O objectivo é tirar um curso e começar a trabalhar. A partir de aí é que começa realmente a contar.

Hj ouvi muitos queixarem-se que têm de emigrar para trabalhar... a minha pergunta é: e então, qual o problema?
Se tens trabalho lá fora aproveita e vai. Amigos fazes em todo o lado e a família estará sempre lá para apoiar.

O problema é político, porque é o sistema político que permite que a corrupção se instale e continue. Acabar com a corrupção é o primeiro passo para sair desta fossa. Mas sem sangue não se muda nada. Revolução sem sangue é apenas uma operação de cosmética.

Camarada, estou solidário nesse aspecto de adiar os sonhos porque estou na mesma, mas por outro lado penso que devemos sempre olhar para o lado bom. Isto é uma oportunidade para passar mais tempo com a familia que mais cedo ou mais tarde irá deixar-nos. Olhar para o lado bom das coisas más é meio caminho andado para a felicidade.

Melinda disse...

Concordo com o direito de escolher a formação e ter variedade de escolha... restringir a variedade pode parecer um atentado contra o direito/liberdade de escolha. Mas... temos de ser pragmáticos: até agora resultou mal!
A meu ver resultou mal porque:
- não temos dimensão/mercado para acolher tanta diversidade,
- as escolhas não têm sido conscientes (porque os pais nem sempre dão apoio nesta escolha porque eles próprios não estão sensibilizados nem bem informados),
- as escolhas não têm sido responsáveis: nem sempre se escolhe a pensar na melhor opção de mercado e de garantia de estabilidade profissional/financeira)

O resultado é jovens que se sentem defraudados pelas próprias escolhas?! O país precisa que os jovens sejam orientados nas melhores opções, com pragmatismo de acordo com aquilo que o país tem para oferecer.
É preciso que os jovens ganhem autonomia o quanto antes, a bem do estado social e do crescimento economico.
O Governo tem responsabildiade nisto e tem a responsabilidade de orientar o país no sentido de oferecer emprego/trabalho sustentável e que potencie o crescimento.
É aqui que os ministérios da Economia e da Educação têm de se coordenar.

De resto nao há mal nenhum em ir para o estrangeiro, o mal é nao ter alternativa sem ser o estrangeiro.

Tenho dito :)